sábado, 27 de fevereiro de 2016

João Ademar Paro/Débora Paro - ele prefeito de Colina, ela, sua filha, projetou o Parque Débora Paro



Esta postagem contou com a colaboração imprescindível da D. Leila Abdalla Paro, entrevistada pela Renata Paro (vídeo, vide abaixo) e pela Helia Marta Filomeno Ikuma (vide transcrição da entrevista abaixo). A Helia e a Renata são também responsáveis pela coleta do material que aqui apresentamos. Algumas das fotos foram fornecidas pela Odite Sandrini.


João Ademar Paro, casado com D. Leila Abdalla Paro foi prefeito de Colina de 1964 a 1969 - tempos difíceis... época da Revolução de 1964 - governos militares - foi vereador de 68 a 72 e de 72 a 76
Para mais dados biográficos sobre ele, vide o livro Colina Capital Nacional do Cavalo, d. Syria Drubi - pag. 363/364/365/366

nasceu na Fazenda Monte Belo em 1933 e faleceu em 8/janeiro/1987

JOÃO ADEMAR PARO COM SEUS PAIS, NO COLO DE SUA MÃE:
João Pedro Paro e Maria Paro

 João Ademar e Leila Abdalla

Os filhos do casal João Ademar/Leila: João Pedro, Guilhermo, Débora
(in memória), Humberto, Luciana e Gustavo Paro

 Formou-se em Odontologia em 1954 pela Faculdade de Odontologia de Uberaba - MG 








Família Abdo Drubi AbdallaFamília Abdalla - Salomão Hassan Abdalla e D. Lucia - começando na última fileira, da esquerda para a direita: João Adhemar Paro, Joãozinho, Ezechias Barcelos, Machado, Nego, Mario Rebolho. Na segunda fileira: D. Leila, Julia Miranda, D. Minga , Jandira, Arlete, Mariquinha. Sentados: Sr. Salomão, D. Lucia, Pe, Antonio e mulher (D. Anita) do Merchid que tá de pé ao lado dela..




Família reunida para as Bodas de Ouro do casal Merche/Anita




 João Paro (Piquira) e João Ademar Paro (ambos foram prefeitos de Colina)

HOMENAGEM PÓSTUMA A JOÃO ADEMAR PARO 
(por João Paro)
(enviada por Zezé Paro Forte para a Renata Paro): Renata, conforme combinado, segue o arquivo com a homenagem que meu pai fez ao João Ademar. Qualquer coisa, me fale.
Abraços, Zeze

Deus, na sua sabedoria, levou para perto de si o nosso João Ademar.
Primos, amigos, confidentes, e mais que isso, fazíamos parte um do outro, pois éramos como verdadeiros irmãos.
Não sei qual a razão, mas com dez anos menos que eu, desde garroto, João Ademar se apegou a mim. Tínhamos muita afinidade e seu apego acentuou-se mais após a morte do pai, o saudoso João Pedro Paro.
Aos pais de João Ademar, João e Maria, meus padrinhos, sempre dediquei muito respeito e grande admiração.
Desde muito cedo percebemos que aquele menino de pernas compridas, olhar dócil e educado, se tornaria um homem respeitado. Bom filho e bom irmão, João Ademar foi se projetando e era conhecido como bom menino, educado e querido por todos. Gostava de jogar futebol e sempre pedia para deixá-lo jogar entre os mais velhos, pois eu dirigia o time da garotada. Era natural que eu permitia, pois além de dar oportunidade a todos, eu gostava muito daquele garoto.
Mais tarde, já na Faculdade de Odontologia de Uberaba, era para todos nós, parentes e amigos, uma alegria quando chegavam as férias, pois o “negrinho” ia chegar (era assim que o chamávamos).
Nestas oportunidades eu me prevalecia de nossa amizade, para dizer-lhe da alegria de seus pais por estar cursando a Faculdade e também da preocupação de D. Maria, sua mãe, a respeito da prática religiosa, freqüência à missa, etc. Ele ouvia com atenção e serenidade.
Já formado e exercendo com dignidade sua profissão (época em que já havia se integrado totalmente ao melhor conhecimento e à prática da religião), João Ademar era alvo da atenção de todos e muito estimado pela maioria da população colinense.

Política

Estávamos em 1963, ano que terminava meu mandato de prefeito em Colina e, deliberando deixar como meu sucessor alguém com o mesmo pensamento e capaz de dar continuidade ao método austero no trato da coisa pública que havíamos imprimido em nossa administração, reunimos os companheiros, isto é, as forças que nos apoiavam na política e que nos ajudaram a governar Colina, para uma reunião. Juntamente com outras três pessoas, também dignas, indicamos João Ademar para candidato. Após estudos, considerações e análises, ele foi o escolhido, tendo como vice João Caldeira.
Confesso que tinha confiança na vitória e ela, realmente, aconteceu de maneira brilhante.
Conhecendo-o bem, não me enganei a seu respeito e sua administração dispensa comentários, pois marcou época na história político-administrativa de Colina.
Esperamos que a honra, a dignidade e os métodos de administração de João Ademar sirvam de exemplo a todos aqueles que desejam ingressar na vida pública.

Dia-a-dia

Sua vida profissional e comercial dispensa comentários, pois é de todos conhecida. Cuidei de parte de seus negócios em São Paulo e pude analisar bem de perto o seu caráter, sua serenidade, seu comportamento como esposo, pai, filho,irmão e amigo, onde sua maior preocupação era a vida espiritual.

Doença e morte

Sempre entendi que Deus, criador da vida, tem seus motivos para determinar o que devemos passar em nossa curta passagem por este mundo. Ele resolveu por à prova, a fé de João Ademar.
Muita jovem ainda, passou a ter problemas de saúde, submetendo-se a cirurgias difíceis e tratamento contínuo. Seu dia-a-dia e sua vida se alteraram profundamente, mas sua fé aumentava. D. Leila (verdadeira heroína) e seus filhos, tendo por espelho o esposo e pai, jamais deixaram se abater e permaneceram ainda mais firmes na fé.
João Ademar, resignado com os planos de Deus, a todos animava e encorajava. Sabia que o final estava próximo e sempre me dizia a respeito. Inclusive, no dia anterior à sua morte, percebendo minha preocupação, disse-me esta frase que jamais esquecerei: “A continuar assim, estou muito próximo de deixar este mundo; mas não se preocupe, pois estou preparado e aceito a vontade do Pai.”
Confesso que foi para mim uma experiência maravilhosa e tenho certeza de que a personalidade de João Ademar, não apenas durante sua vida com saúde, mas, especialmente, durante o longo período de enfermidade, deixaram a todos nós, familiares, parentes, amigos e conhecidos, um exemplo de como deve viver e morrer o verdadeiro Cristão.
Meu Deus do Céu, quanto sofrimento, quanta resignação, quanta convicção religiosa e quanta fé pude observar em João Ademar, durante o longo período que o acompanhei.
Ele foi para sua nova morada e está agora mais próximo de Deus. Resta-nos a saudade e a certeza de que continuará a servir de guia a todos nós que o amamos.
Deus, na sua infinita misericórdia, daí-lhe o descanso eterno e entre os esplendores da Luz Perpétua, descanse em Paz.
Fevereiro de 1987
João Paro


 Destacam-se entre suas realizações: instalação de redes elétricas, rede de esgoto, água e asfalto, reforma e construção de escolas rurais, construção da Escola Técnica e Comercial de Colina, da Biblioteca Municipal, do pavilhão anexo à Lamounier, galerias no Buracão, ponte seca, reforma da Praça do Patrimônio, construção da Praça Fernando Vianna e da praça defronte ao cemitério, juntamente com a estátua do Cristo carregando sua cruz (obra de Agnaldo Ferreira), apoio e incentivo ao Clube das Mãezinhas, cuja ideia foi tirar a criança da rua.



 Odite Sandrini e os filhos do João Ademar durante as obras das galerias do Buracão





 inauguração do asfalto e iluminação da Av. Luiz Lemos de Toledo


 Paraninfo de várias turmas de formandos: aluno Ali Omar Rajab

Baile de formatura: paraninfos

 Foi sócio fundador o Rotary Clube de Colina em 1957 e seu presidente de 1969 a 1970

 Av. Cel José Venâncio, uma de suas realizações

 Praça Fernando Vianna (Pracinha) em 1968 - obra do prefeito João Ademar Paro


















 
O radialista José Roberto Fernandes (Quita) presenteou o casal com os Colinenses de 1968 encadernados e com dedicatória

Vídeo publicado em 26 de fev de 2016

Aqui tem um pouco da trajetória do Dr. João Ademar Paro, da Dona Leila Abdalla Paro, da Débora Paro que muito contribuíram para o progresso de nossa querida Colina, Cidade Carinho

Muito obrigada dona Leila por me receber e gravar esse vídeo. 

RENATA PARO FOTOS 20/02/16


Entrevista da Helia Marta Filomeno Ikuma com a D. Leila Abdalla Paro - fevereiro/2016 


Débora Paro nasceu em 02/12/1961 e faleceu em 16/04/1985, aos 24 anos, filha de João Ademar Paro e Leila Abdalla Paro.
Na época em que o Sr João Ademar foi prefeito de Colina ( 1964 a 1969), deparou-se com um problema sério de captação de água. A área do Buracão dividia a cidade em duas partes. Acima da Avenida Colina, hoje Manoel Palomino Fernandes (sentido cidade-rodovia) era a cidade e abaixo era o famoso “Buracão”. Não havia como atravessar da Marechal Floriano ( hoje Luiz Camargo) para a região onde estão as COHABs e CDHUs.
Foram feitas galerias para captação da água e um aterro até onde está a “Ponte Seca”, porque o declive era muito grande e havia muito assoreamento.
O Dr. João gostaria de urbanizar esta área : faria uma rodoviária e uma área de lazer.
Sua filha Débora, estudando Arquitetura em Santos, escolheu este local para seu projeto de final de curso, com a implantação ali de um parque , unindo o trabalho para a Escola e o desejo de seu pai.
Foi um trabalho árduo! porque, em maio de 1983, ela adoeceu. Ficou doente 1 ano e 11 meses e veio a óbito.
Devido à imunidade baixa, e não podendo estar em contato com muitas pessoas, recebeu seu Diploma na Diretoria da Escola, acompanhada de sua mãe.
Mesmo doente, sonhava muito com seu trabalho e fazia planos para embelezar a nossa querida “ Cidade Carinho”.
A topografia da da área deu muito trabalho e preocupação a ela. Mas, guerreira e incansável foi idealizando pequenas passagens para atravessar de um lado para o outro do lago.
No percurso que seria usado para as caminhadas não se esqueceu da pista para ciclistas, da rampa para carrinho de rolemã (hoje skate), duchas d´agua para o conforto dos atletas e amadores. Pensou também numa lanchonete embaixo da ponte e um mezanino para eventos culturais.
O parque seria arborizado procurando evidenciar a presença das acácias, pois ela havia escolhido o nome de Parque das Ácacias.
Após sua morte, na gestão do Prefeito Assad Antonio Daher (Tô), decidiu-se homenageá-la colocando o nome de Parque Débora, o que proporcionou muita alegria a seus familiares e amigos.
Debóra mesmo doente e com muita dificuldade, confeccionou uma maquete, que ficou exposta em vários lugares da cidade e, pela última vez, no Banco do Estado de São Paulo (Banespa à época, atual Santander).
Quando caminhamos por ele, aqueles que viveram a época e que viram a maquete poderão dizer: “ quem te viu e quem te vê”!, foram suas palavras.


 Rascunhos da entrevista da Helia Marta Filomeno Ikuma com a D. Leila


D. Leila escreveu em 2011 sobre o Parque: 

Parque Débora Paro

Uma grande área intransitável devido ao fenômeno da “Boçoroca” (desmoronamento determinado pela ação erosiva das águas em camadas permeáveis), ou melhor, (escavação profunda em terreno arenoso).
Houve várias tentativas dos prefeitos. Uma das primeiras foi um “muro de arrimo” (esquina Av. Dr. Manoel Palominio Fernandes e Rua treze de Maio) que embora tenha durado algum tempo,não suportou a quantidade das águas pluviais e desmoronou. Antes da década de cinqüenta, a erosão foi ainda maior, chegou quase a Rua Alfredo Simões de Campos Filho.
Outras tentativas foram feitas, sem sucesso. O que começou a melhorar e dar resultado foram as galerias pluviais feitas aos poucos em algumas gestões, empurrando o buraco mais para frente. Uma ponte foi construída ligando os dois lados da cidade, na Rua Luiz Camargo com Av. Cel. Antenor Junqueira Franco.
O sonho de seu pai, João Ademar Paro, que fez a ponte era fazer ali um terminal rodoviário urbanizando lindamente aquela área. Não houve meios para concretizá-lo.
Contou com o total apoio do então prefeito Assad Antonio Daher (Tô) que foi varias vezes a São Paulo para ouvir suas idéias e carinhosamente, dizia:
- Faça como achar melhor Debinha!
A justificativa de seu Projeto revela um pouco de seus intuitos.
“PROPOSTA DE ATUAÇÃO”:- (justificativa feita pela Débora no inicio do projeto).
A minha atuação no projeto, após a pesquisa feita em relação ao problema da boçoroca, foi tentar a revitalização dessa área em Colina para harmonizá-la com a cidade. Passar, de lugar abandonado a ponto integrante. Como a primeira iniciativa para a recuperação dessa área não se efetuou, que era um projeto paisagístico com o terminal rodoviário, hoje não atenderia às necessidades da população. O terminal rodoviário foi construído na Av. Dr. Manoel Palominio Fernandes.
O que a cidade necessitaria ocupando aquele local?
“Pesquisas feitas com os habitantes e examinando as necessidades de uma população de aproximadamente 15 mil habitantes, surgiu a idéia de um espaço cultural, onde pudesse ter exposições permanentes da história da cidade, juntamente com uma área de lazer significativa... muito verde... um lugar de encontro das pessoas, um lugar alegre... com muitos usos... calmo... mas cheio de vida!!!”
Suas análises, plantas, medições, foram passadas aos engenheiros da prefeitura que concretizaram algumas de suas idéias, embora ainda faltem outras.
O importante é que o objetivo está sendo alcançado: uma bela e agradável urbanização.
Ela havia colocado o nome “Parque das Acácias” por imaginá-lo com muitas árvores floridas, sobretudo todo tipo de acácias, flamboyant, resedá, quaresmeira, manacá da serra, pata de vaca, além de diferentes tipos de ipês e palmeiras, quiosques, mezaninos, duchas, em meio às maravilhas, escorregadores, pequenas pontes, pistas, recantos, além de crianças, jovens e adultos num entretenimento e lazer chegando quase ao paraíso. Para completar carrinhos: de algodão doce, pipoca, cachorro quente, sorvete, refrigerante, banca de frutas e flores.
O prefeito To e a Câmara Municipal a homenagearam, dando o nome de “Parque Débora Paro”. Ficamos muito gratos, pois, ela deixou saudades, mas, também sua marca.
Aldemir, Newton e outros artistas, amigos e colegas esperaram ansiosos pela inauguração do parque, fizeram planos para marcar sua presença e juntar-se às homenagens para a querida Débora. Não aconteceu, mas valeu, pois o importante é a concretização de sua idéia.
Foi feliz com o que fez, com suas conquistas, com os horizontes que se abriram para ela.
Teve amigos e colaboradores maravilhosos. Sua família muito querida esteve presente em todos os momentos desde seus primeiros anos até o final de sua vida.
Com seus Colegas e amigos curtia cada festa, cada reunião, cada evento.
Não viu finalizada a sua obra, mas teve seu sonho alimentado enquanto lutou com a leucemia que a levou para outras esferas.
Deixou um grande vazio, mas também lembranças agradáveis, exemplos de luta, amor, fé, resignação e coragem.
Hoje é para nós uma estrela que pisca no céu alertando:
-‘Vamos!”“, “Animo!”, “Vale a pena!”.

Fechou seu projeto com as seguintes palavras:

Tudo muito rústico e natural”... “Tentei ao redor desse lago criar diferentes espaços, de acordo com o espírito de cada um,
Espaços um pouco românticos, outros modernos, cantos silenciosos, outros alegres, uns arrojados, uns simples, para que todas as pessoas, desde velhos, adultos, crianças, namorados, amigos se encontrem, se realizem da melhor forma, como se a vida fosse um eterno amanhecer... “No parque...”

Colina 04 de Novembro de 2011.

Leila Abdalla Paro
(Mãe de Débora Paro)




 Débora em aula de música no Lamounier com a Prof. D. Lúcia Carminati













Desenhos e pinturas feitos pela Débora:












Fotos da Débora:






Para mais sobre o Parque Débora Paro, clique no link abaixo:
Parque Débora Paro, antes, o Buracão