sábado, 4 de fevereiro de 2012

Fazenda Mandaguari...

Houve uma época em que grandes fazendas eram verdadeiras vilas: contando com armazém de secos e molhados, bar, sorveteria, açougue, barbearia, farmácia, correio, centro telefônico, costureira, bordadeira, escola, etc, atendendo a fazenda propriamente dita e as demais nos arredores... É o caso de São José dos Macacos, Monte Belo, São Joaquim, Mandaguari e Fazenda do Governo, das que temos registro. Com estas atividades mais ou menos presentes atendiam os colonos e fazendeiros da época. Clubes, festas, quermesses, carnaval, bailes de salão, bocha e futebol faziam parte do lazer daquela época. Nas festas dos Macacos, havia um sanfoneiro muito bom, o Joaquim Menino, avô do Padre Santana... e muitas outras histórias...


REVISTA DBO RURAL, EDIÇÃO 188, DE MAIO DE 1996, Páginas 104 e 105
Mário Mazzei Guimarães - jornalista

 O Coronel Luciano de Melo Nogueira, (da Guarda Nacional, ninho de política, não de guerra), de origem fluminense, saiu da ex-cafeeira Rezende, RJ, para Minas Gerais, onde casou na área de Passos. Montou café em Monte Santo (MG) e formou família. Com ela crescendo e, com e como outros Nogueira fluminenses, enfurnou-se em São Paulo. A sua “bandeira” foi dar entre Colina e Jaborandi, arraiais de Barretos e de terra boa. Acampou com seu povo, abriu a mata, a mulher, dona Sintota (Jacintha Carvalhaes Nogueira), de cozinheira-chefe e, começou a Mandaguari. Chegou a 1.500 alqueires paulista e a um milhão de cafeeiros, além de muito pasto e lavouras de palhada. Isso durante o primeiro quarto de século. A fazenda acabou virando um povoado: venda, barbeiro, colônia de tijolos, relojoeiro, grupo escolar, serraria, ferraria, máquina de benefício, palco na tulha... Depois, piscina, duas “casas grandes”, eletricidade, água encanada, telefone... Ao envelhecer, foi morar em Colina, mas vinha muito a pé à fazenda, a uma légua e, brincava com os netos na piscina, nadando “de cachorrinho”. Foi chefe político nas redondezas, humilde e amável. Distribui as terras entre os nove filhos e em tempo ruim, fim da amarga década de 30. Foi-se aos 70 e tantos, na década de 40, a fazenda espandongando. Salvou-a o filho homem mais novo, Lupércio Carvalhaes Nogueira, ajeitado na seção de Santa Cruz, terra arroxeando. Morava na fazendinha, que reformou e eletrificou, pôs água na torneira, fez agricultura diversificada, puxada pelo café e... vendeu-a quando a velhice lhe pegou a vez.


artigo enviado por: Luciano Aguiar Nogueira que escreveu: faz parte da história de Colina.










Bodas de Ouro do Cel. Luciano e D. Jacintha - 1935

Em 1919, o Cel. Luciano de Mello Nogueira doou 5 alqueires de terra que formaram o Patrimônio, loteado pela Igreja e cuja renda reverteu para a construção da Matriz de São José...

Jornal A Voz da Paróquia:

Nestor de Oliveira (pai - vide abaixo) relatou: contava-se que no ano de 1918 houve uma grande geada na região de Colina e foi devastadora na lavoura de café. Naquela noite, o Cel. Luciano de Mello Nogueira, grande produtor de café e homem religioso, fez uma promessa: se seus cafeeiros não fossem devastados pela geada ele daria uma grande quantia em dinheiro e ajudaria a construir, em alvenaria, outra igreja maior no lugar da igreja de madeira. Notou-se nos dias seguintes que, da região, seu cafezal foi o que menos sofreu com a geada daquela noite. E assim ele cumpriu sua promessa, sendo o maior contribuinte financeiro para a construção da atual, grande e bela igreja de São José, doando num total de 15:739$000 e mais 10 contos de réis para compra e instalação do sino na torre da igreja.

Obs: segundo o Jornal A Voz da Paróquia, o sino grande foi doado por Antonio Junqueira Franco e o pequeno por José dos Santos



Guido Basso (92 anos) fez este relato da época em que viveu na Mandaguari à sua sobrinha Helia Marta Filomeno Ikuma, que o transcreveu e nos enviou:
Era a fazenda mais populosa do município entre os anos de 1925 a 1939, época em que Família Basso ali permaneceu. O Dono da Fazenda Mandaguari era o Cel Luciano de Mello Nogueira. A Mandaguari tinha um milhão de pés de café...
Pertenciam a esta Fazenda: Boa Esperança, Petrólea, Colônia do Sapo, Mercadinho, Barra Preta, Nova Olinda, Grão de Bico, Santa Cruz e Fazenda Primavera. A Nova Olinda mais tarde se tornou Barra Preta: hoje propriedade dos Daher.
As famílias Basso e os Arduíno moravam na Boa Esperança.
Os moradores, no início, foram roceiros, depois colonos e depois meeiros.
O povo que trabalhava por dia na sede, eles chamavam de ambulantes, moravam no Mercadinho.
Moravam na Fazenda: Mario Nogueira (morava na sede), Durval Nogueira (Administrador) e Lupércio Carvalhaes Nogueira ( tomava conta da Venda de secos e molhados).
Depois, mais tarde, foi feita a divisão e cada um recebeu uma fazenda. A Fazenda Boa Esperança ficou para o Sr. Durval Nogueira. A Fazenda Sta Cruz para o Sr. Lupércio Carvalhaes Nogueira. A Nova Olinda para o Sr. Jaime Nogueira. A fazenda Primavera para o Sr. Mário Nogueira. A Fazenda Petrólea para o Sr. Totonho Nogueira (hoje pertence aos familiares do Sr Luiz Arduíno e Amadeu Basso). As demais fazendas ficaram para familiares que moravam fora.
A Fazenda Mandaguari era imensa, num dia não dava para dar volta nela.
Ela pegava na Estação do Perobal, passava pela Fazenda Recreio, Fazenda Maria Madureira, Fazenda do Dr Acácio e Fazenda do Turvo, descia e começava a Fazenda São Joaquim, etc.
Por ser muito populosa possuía um Campo de Futebol que, aos domingos, juntava mais gente lá para assistir os jogos do que na cidade.
Na sede tinha uma escola que atendia a toda região. Com exceção da Fazenda Primavera que possuía escola também. Os professores da época eram: Luiz Chaves, Prof. Vicente, D. Tita, D. Dalva, etc.
Quem rezava as missas era o Pe Amaro, na própria sede da Fazenda, pois, ali não tinha igreja. Quem rezava os terços, quando convidados pelo pessoal eram, na seguinte ordem: Joaninho Basso, Antonio Basso ( Tuninho), Josefina Basso ( Pina) e Guido Basso.
Todos tinham quintal muito grande com pomar, horta, animal para o trabalho e até vaca de leite. Os moradores meeiros plantavam feijão e chegavam a colher de 300 a 400 sacas por ano. Jogavam fora em média de 250 sacas porque carunchavam e umas 100 sacas cozinhavam para os porcos. E ainda davam para aqueles que não tinham vontade de plantar. Também plantavam arroz, milho etc. e ainda trabalhavam para o Cel Luciano.


Nestor de Oliveira (93 anos) se lembrou assim do tempo em que morou na Mandaguari (relato feito a Nestor de Oliveira F° que o transcreveu e nos enviou):
A fazenda Mandaguari tinha 1.500 alqueres de terra e 1.017.000 pés de café e era dividida em quatro secções e mais a sede central. A sede central Mandaguarí era mais ao centro, a Boa Esperança ao norte, a Petrólia a leste, ambas à esquerda da estrada Colina Jaborandi. Ao lado direito da estrada eram a Nova Olinda no sul e Santa Cruz no sul/leste.
Na sede Central tinha máquina de beneficiar café, terreirão, tulha, paiol, curral, armazém (do Lupércio), barbeiro (José Belo), colônia do Mercadinho (dos camaradas) mais ou menos 15 casas, colônia Grão-de-Bico mais ou menos 20 casas, colônia Vermelha mais ou menos 10 casas e colônia do Sapo mais ou menos 5 casas.
Na secção Boa Esperança tinha duas colônias, uma de cada lado do riacho, com 20 casas cada uma, e entre as colônias tinha 49 alqueires de mangueirão que servia como pasto também, ali pastavam cavalos, vacas, porcos, cabritos etc.... A Petrólia não tinha lavoura de café, era só roça. Tinha umas dez famílias de roceiros que plantavam milho, arroz, feijão. Mais ou menos em 1935 ou 36 o Cel. Luciano arrendou as terras da Petrólia para umas família japonesas e eles plantaram algodão nessas terras. O arrendatário comprou um trator novo da marca John Deere e contratou o tratorista de Colina, que por sinal muito conhecido na cidade por sua velocidade nas corridas, de nome José e seu apelido era Zé Cento e Vinte. Este tratorista trabalhava arando terras a noite inteira e o barulho do trator até atrapalhava o sono dos colonos da Boa Esperança. A Potrólia e a Boa Esperança divisavam com a fazenda Córrego Seco.
Seguem nomes de algumas famílias que moravam na Boa Esperança em 1935: primeira colônia; famílias, Paulo Catizane, Antonio Catizane, Eduardo Catizane, José Inacio, Sebastião Soares, Ezequiel de Oliveira, José “Baiano”, Aristides Giacometti, Sebastião Frauzino, Luiz do Carmo, Pedro (Pedrinho), família Theas, Joaquim Elias, Benedito (fiscal), Benedito (caboclo), José Campeiro, Luiz (barbeiro). Segunda colônia; João (baiano), José Gomes, Luiz Basso, João Pimentel, Jerônimo Flor, José Filomeno, João (baiano – participou da guerra), Joanim Basso, Túlio Basso, viúva de Sezarino Arduini, José (baiano – genro do José Flor), Marcimiano, José Moleiro, Luiz Preto, Emílio Preto, ? Preto, Benedito Flor, José Flor.
O Durval filho do Coronel Luciano era o gerente geral da Mandaguari e o Damião da Cruz era o administrador geral, e cada secção da fazenda tinha um fiscal. Na Boa Esperança, no primeiro ano que meu pai morou lá o fiscal era o Benedito da Silva e depois foi o Joanim Basso. O da fazenda Santa Cruz (antes do Lupércio tomar posse dela como herança) era o Leopoldo Gomes (pai do Luiz oveiro). Da Nova Olinda não sei quem era o fiscal.
O estabelecimento comercial que o Lupércio de Melo Nogueira tinha na fazenda Mandaguari era ao mesmo tempo armazém e loja, trabalhavam vários caixeiros (vendedores); la vendia de tudo, secos e molhados, roupas, armarinhos etc... o caixeiro chefe era o Luiz Rocha, rapaz que o Lupércio trouxe de São Paulo, rapaz, este,.que não tinha família (pai e mãe), foi criado numa instituição de caridade. Ali na Mandaguari ele se casou com a filha de um colono.
Contava-se que no ano de 1918 houve uma grande geada na região de Colina e foi devastadora na lavoura de café. Naquela noite, o Cel. Luciano de Mello Nogueira, grande produtor de café e homem religioso, fez uma promessa: se seus cafeeiros não fossem devastados pela geada ele daria uma grande quantia em dinheiro e ajudaria a construir, em alvenaria, outra igreja maior no lugar da igreja de madeira. Notou-se nos dias seguintes que, da região, seu cafezal foi o que menos sofreu com a geada daquela noite. E assim ele cumpriu sua promessa, sendo o maior contribuinte financeiro para a construção da atual, grande e bela igreja de São José, doando num total de 15:739$000 e mais 10 contos de réis para compra e instalação do sino na torre da igreja (vide obs acima sobre os sinos da Paróquia).


Residência Fernando Pereira Vianna Luciano Aguiar Nogueira comentou esta foto no Facebook:
"A minha tia Esther, irmã do meu pai era a dona da Fazenda Mandaguari, entre Colina e Jaborandi, que foi herança do meu avô, Coronel Luciano de Melo Nogueira. Os meus tios são: Tio Jaime, Tio Lupércio, Tio Totonho e outros mais que não lembro os nomes."