sexta-feira, 20 de maio de 2011

Colinenses nº 42 - Plágio do Hino é de música e letra?



Plágio do Hino é de música e letra? 

                    A crônica “O Hino Nacional é plágio?”,  das “Crônicas do Inesperado” publicadas em 2.009, deu o que falar. Não era para menos, uma vez que ali se explora a suspeita de que a melodia de nosso emblemático Hino vem da abertura do “O Barbeiro de Sevilha”, de Rossini, pela via de um exercício para pianoforte composto por José Maurício Nunes Garcia, mestre de Francisco Manoel da Silva, declarado autor  do Ouvirando.
                    O próprio cronista-mor, Luis Fernando Veríssimo, citou-a para ilustrar crônica aparecida no “Estadão” e na “Zero Hora”, a 3 de julho de 2011, sob o título ”Plágio ou o quê?”, a propósito de transcrição para cravo, por Johann Sebastian Bach, de concerto para oboé e cordas de Alessandro Marcello. De passagem anota que as “Crônicas do Inesperado” são “ótimas”.
                   Citação e comentário para mim muito honrosos. E o próprio Veríssimo explicita e resolve o dilema sugerido pelo cauteloso ponto de interrogação depois do plágio, no título de minha crônica, com inteligência e simplicidade que me faltaram: “No caso do hino, foi plágio, homenagem ou influência perfeitamente legítima? De qualquer maneira, foi em segunda mão”.
                   O que o Veríssimo talvez não saiba (como eu não sabia até umas poucas semanas atrás), é que, a haver mutreta no Hino, ela é de barba e cabelo – de música e letra.
                   De onde vêm estes versos do texto de Osório Duque Estrada:
                       
                         Nossos bosques têm mais vida, 
                         Nossa vida no teu seio mais amores? 

                  Essa charada, os leitores vão matar fácil. Para os que não são das gerações para as quais nossa terra tem palmeiras, onde canta o sabiá, transcrevo esta passagem da “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias:

                        As aves, que aqui gorjeiam, 
                        Não gorjeiam como lá. 
                        Nosso céu tem mais estrelas, 
                        Nossas várzeas têm mais flores, 
                        Nossos bosques têm mais vida, 
                        Nossa vida mais amores. 
               
                “Plágio, homenagem ou influência perfeitamente legítima”, pergunto, plagiando nosso Veríssimo (também eu!). No caso, parece que o que se tem é mesmo uma citação, meio forçada, esdrúxula no contexto.
                Citação em Hino Nacional? Em algumas versões da letra do Hino (cheque na Internet), os versos tirados de Gonçalves Dias aparecem entre aspas, sinais indicativos de apropriação literal e confessa. Foram as aspas, aliás, que chamaram minha atenção para a equívoca coincidência. Ressalta que Duque Estrada colocou um “no teu seio” na  vida de mais amores de Gonçalves Dias. Seio postiço, pois, no Hino.
               Matéria pra investigação; eu nunca tinha ouvido falar nisso. Será que só eu não tinha me dado conta? Afinal, como dizia o Millôr, nada mais difícil de enxergar (e de ouvir...) do que o óbvio. A Wikipedia dá por contado que os versos foram "extraídos" da Canção do Exílio.
               Letra e música. Barba e cabelo!
               O Barbeiro de Sevilha teria gostado da comparação capilar – ele que parece estar na origem melódica de toda essa embrulhada.



SOBRE O AUTOR:

Renato Prado Guimarães nasceu em Colina, Estado de São Paulo.
Começou a carreira profissional como jornalista, nas “Folhas” e no “O Estado de S. Paulo”; paralelamente, formou-se na Faculdade de Direito da USP, no Largo de São Francisco.Diplomata desde 1963, foi Secretário de Embaixada em Bruxelas e Bogotá, Chefe do Escritório Comercial do Brasil nos EUA, Cônsul Geral ad interim em Nova York, Ministro-Conselheiro na Embaixada em Washington e Encarregado de Negócios junto aos EUA, ad ínterim.Promovido a
Embaixador em 1987, exerceu aquela função na Venezuela, no Uruguai e na Austrália (cumulativamente, também na Nova Zelândia e em Papua-Nova Guiné). Foi igualmente Cônsul-Geral do Brasil em Frankfurt, na Alemanha, e em Tóquio, no Japão.
No Brasil, foi Chefe da Divisão de Programas de Promoção Comercial, porta-voz do Itamaraty na gestão Olavo Setúbal e Chefe do Gabinete do Ministro Abreu Sodré; fora de Brasília, foi Chefe do Escritório do Ministério das Relações Exteriores em São Paulo – ERESP, que instalou.Aposentou-se em abril de 2.008. Reside atualmente em Colina, sua terra natal, interior de São Paulo, Brasil.

É o autor de “Crônicas do Inesperado”, lançado em outubro de 2.009.


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