sexta-feira, 20 de maio de 2011

Colinenses nº 10 - Muros de Colina - crônica do Emb. Renato Prado Guimarães


Muros de Colina 

                   
                 Colina, cidade murada? Como anunciado (ou ameaçado?), volto ao tema perturbador.
                 Por que muros em toda parte, vedando as casas, enclausurando as famílias, separando-as das ruas, das avenidas, das praças – do mundo? Não contentes, as casas empinam ainda, sobre os muros altos, redes elétricas de alta potência, do gênero inaugurado nos campos de concentração.
                 Por que esse isolamento singular, introspectivo, que destoa do caráter patentemente franco, aberto e hospitaleiro da cidade? Por que muros numa cidade de portas abertas?
                 Perguntei já a um monte de gente e não tive resposta satisfatória.
                 Proteção contra a insegurança de ultimamente? Mas as estatísticas publicadas pelo “O Colinense” mostram Colina como uma cidade de criminalidade ainda reduzida.
                 As estatísticas escondem a realidade? Tenho, sim, ouvido falar, com estrépito, de casos isolados de assaltos a casas, aparentemente nem reportados à Polícia. Mas será isso tão comum?
                 Será que o colinense, previdente e sábio, resolveu comportar-se na inversa do ditado da “casa arrombada, tranca na porta”, preferindo colocar o muro- tranca antes do potencial arrombamento? Essa atitude preventiva explicaria, decerto, o número relativamente baixo de roubos perpetrados.
                 Mas o argumento cai de imediato: os muros colinenses não são de agora, de ultimamente, como os crimes; há incontáveis na cidade que contam anos, décadas de construção. Por que os muros então, quando não havia risco, não havia assalto?
                A pergunta me intriga. Alguém tem uma resposta?


SOBRE O AUTOR:


Renato Prado Guimarães nasceu em Colina, Estado de São Paulo.
Começou a carreira profissional como jornalista, nas “Folhas” e no “O Estado de S. Paulo”; paralelamente, formou-se na Faculdade de Direito da USP, no Largo de São Francisco.Diplomata desde 1963, foi Secretário de Embaixada em Bruxelas e Bogotá, Chefe do Escritório Comercial do Brasil nos EUA, Cônsul Geral ad interim em Nova York, Ministro-Conselheiro na Embaixada em Washington e Encarregado de Negócios junto aos EUA, ad ínterim.Promovido a

Embaixador em 1987, exerceu aquela função na Venezuela, no Uruguai e na Austrália (cumulativamente, também na Nova Zelândia e em Papua-Nova Guiné). Foi igualmente Cônsul-Geral do Brasil em Frankfurt, na Alemanha, e em Tóquio, no Japão.
No Brasil, foi Chefe da Divisão de Programas de Promoção Comercial, porta-voz do Itamaraty na gestão Olavo Setúbal e Chefe do Gabinete do Ministro Abreu Sodré; fora de Brasília, foi Chefe do Escritório do Ministério das Relações Exteriores em São Paulo – ERESP, que instalou.Aposentou-se em abril de 2.008. Reside atualmente em Colina, sua terra natal, interior de São Paulo, Brasil.

É o autor de “Crônicas do Inesperado”, lançado em outubro de 2.009.
Para contatos, usar o endereço de e-mail rpguimar@gmail.com


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