quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O Polo / O Mangalarga

Associação Hípica Colinense - Dezembro de 1926, mesmo ano da emancipação de Colina
(Acervo Museu Municipal de Colina)

Site do Club Hipico de Colina - clique aqui






O Polo:

Trazido pelos ingleses que vieram construir a estrada de ferro Santos-Jundiaí, o elegante jogo de polo caiu nas graças das abastadas famílias de fazendeiros, como os Junqueira, da região de  Colina, no interior de São Paulo, onde surgiu o primeiro clube de pólo do País. Alguns anos depois, o pólo chegou a São Paulo pelas mãos da família Souza Aranha. O banqueiro Joaquim Carlos Egydio de Souza Aranha foi lutar por São Paulo na Revolução Constitucionalista de 1932 e acabou conhecendo, no regimento da cavalaria, membros da família Junqueira. Começava ali a formação dos clãs de polistas, que hoje brilham no cenário internacional do pólo. Em 1995, Olavo Junqueira Novaes, aos 23 anos – integrante da quinta geração dos Junqueira no esporte – foi campeão mundial de pólo, na Suíça, tendo o próprio pai, Sylvio Junqueira Novaes, como técnico. No sofisticado mundo do pólo, o culto ao esporte é uma herança passada de geração em geração. É o caso da família Junqueira Novaes, umas das responsáveis por implantar a modalidade no interior do Estado de São Paulo. “Há muito tempo nossa família pratica pólo. Tudo começou com meu bisavô, na Fazenda São João, em Colina. Quando percebi, já estava envolvido. Meu primeiro campeonato fo aos 10 anos de idade, relata o jogador João Junqueira Novaes, pertencente à quarta geração da família e mantém a tradição ao lado dos irmãos Olavo Junqueira Novaes, Henrique Junqueira Novaes e Silvio Ribeiro Junqueira Novaes.

A versão do site do Club Hipico de Colina difere desta, acima, em alguns pontos:
CLUB HÍPICO DE COLINA - Mais de 80 anos de história
A história do pólo em Colina, cidade ao norte do Estado de São Paulo, está intimamente vinculada à saga da família Junqueira cuja fama de devoção aos cavalos resultou na formação e apuro do Mangalarga, raça estritamente nacional.
Seja para a lida, o esporte, lazer, locomoção e transporte, o cavalo sempre foi o animal sobre o qual os Junqueiras direcionaram o foco; depois, para cachorros de caça, esta, uma atividade ao estilo inglês, sem armas, que fazendeiros desenvolviam como lazer nos primórdios do século XX.
Ao iniciar a década de 20, a família, acostumada a receber amigos e convidados para temporadas de caça, teve o privilégio de hospedar o Dr. Cid Castro Prado, amigo dos Junqueiras que, já familiarizado com o esporte do Pólo que acontecia em São Paulo, na Hípica Paulista, e reconhecendo nos amigos a excelência de cavaleiros que apresentavam, dá idéia para que os mesmos passem a desenvolver o esporte como mais uma opção de lazer.
Os primeiros bate-bolas passam a acontecer no gramado da Fazenda Cava, de Abílio Junqueira Franco, no campo de futebol da colônia da fazenda São João, de Junqueira Franco (Totota) e no campo de futebol da colônia da Fazenda Retiro, de Luiz Lemos de Toledo (Nenê Junqueira), todos irmãos. O primeiro campo com medida oficial foi construído na fazenda Consulta, de Antenor Junqueira Franco, irmão de Totata, Abílio e Nenê e os aspirantes a jogadores de pólo vêem-se cada vez mais seduzidos pelo esporte que de pronto os fascinara.
Tanto entusiasmo levou-os a sonhar com um campo oficial, dentro das normas e padrões estabelecidos, e lograram êxito: conseguiram um terreno na área suburbana de Colina, doação parte de Alice, Helena e Mariana, filhas do Coronel José Venâncio Diniz Junqueira Dias, e parte de Jesus Lemos de Toledo (Zuza, irmão do Nenê). O profissional contratado para a construção do campo foi um engenheiro da Cia Paulista de Estrada de Ferro, Dr. Ítalo Morelli, que cobrou, pela empreitada, setenta contos de réis. Construía-se o primeiro de pólo do CHC e organizava-se a primeira geração de jogadores do Club.
No dia 21 de abril de 1926, coincidindo com a emancipação política da cidade, que é levada à categoria de Município, funda-se o Club Hípico de Colina, no local onde até hoje permanece, cenário de encontros significativos de praticantes do esporte, espaço de acolhimento de todos os apaixonados pelo pólo durante esses quase 80 anos...
Os torneios se instauram: desafio à jovem equipe de CHC.
Cumpre acrescentar que o campo da sede do CHC só foi concluído em 1929 e, para a inauguração, foi promovido um grande torneio quando Colina vai para a final em Orlândia e sagra-se campeã para a glória não só das famílias envolvidas, mas para os colinenses em geral.
Era tempo de construção no coração dos jovens jogadores, de espírito polístico, de comprometimento junto ao HC, de fidelidade às tradições também na modalidade esportiva recém adotada... Nessa esteira, vamos registrar que, em 1931, Colina, na Hípica Paulista, em São Paulo, disputou dois jogos contra um time argentino, denominado Los Caranchos (Os Corujas), de Roberto Blackier, Avellaneda e dos Irmãos Santa Marina (milionários da Argentina que percorriam as Américas excursionando e jogando pólo). O time colinense,composto por Nênem, Zuza, João e Olympio venceu o segundo jogo em tropa reforçada com cavalos cedidos por Guilherme Prates, Dario Meirelles e Celso Correia Dias. Foi a primeira vitória de um time brasileiro sobre uma equipe argentina.


 Polo 1931 - esta foto fala por si, conseguiram levar neste ano, o nome de Colina para o exterior. São os cavaleiros do Clube Hipico de Colina:
Jogadores: Olimpio, João, R. Blaquier, R. Santamarina, Nene Junqueira, Zuza, J.Avelaneda, A. Santamarina, E. G. Prates.
O Time de Polo de Colina, obteve honrosa vitória sobre " Los Caranchos" time de polo da Argentina.
Obs: Primeira vitória de uma equipe brasileira sobre uma equipe argentina. (Foto: Acervo Museu Municipal de Colina)
Os eternos rivais: Time de Orlândia x Time de Colina


1931 - Foto do livro Orlândia de Antigamente (pag. 26), de João Francisco Franco Junqueira

foto cedida por Vagner Meira Cotrim

jogadores de polo participando do desfile no
aniversário de Colina - 21/abril/1963

Clube Hípico de Colina criado em 1926 ano em que houve a emancipação de Colina (foto integrante do livro Colina Capital Nacional do Cavalo - Syria Drubi pag.64)


foto de Antonio Sérgio Torquato, 2010

foto de Antonio Sérgio Torquato, 2010
sino doado pelo Cel. Quito Junqueira e que era usado numa locomotiva de sua propriedade, no transporte de cana de açúcar (legenda do livro Colina Capital Nacional do Cavalo, Syria Drubi, pag. 65)

 
foto de Maristela Ikuma

Carlos Alberto Ribeiro fotografou estas imagens da
Revista Polo e nos enviou:




clique sobre as imagens para aumentar

O cavalo Mangalarga:


Quando o cavalo foi transportado para o norte do Estado de São Paulo, encontrou ali uma região de topografia diferente, plana, caracterizada por uma vegetação de cerrado. Nesta região, para sentir a caça, o caçador tinha que acompanhá-la seguidamente, pois, caso contrário, praticamente não veria nada. O cavalo passou então a acompanhar a caça, exigindo-se dele maior velocidade. Começou aí, segundo consta, a diferenciação dos Mangalargas Mineiro e Paulista: o Mineiro mais marchador e o Paulista mais trotador.