sábado, 6 de abril de 2013

Padre Jaime Garzaro (Vigário de Colina de 1925 a 1932) por José Roberto (Girardi) Staliano

 Padre Jaime Garzaro, nascido Giácomo Garzaro (Jaime em português) nasceu em Villaverla (próximo à Vicenza) – Itália em 01 de julho de 1882. Filho de Luiz Garzaro e Ângela Crosara Garzaro. Seus pais resolveram imigrar para o Brasil em 12 de setembro de 1891, quando Jaime tinha 9 anos de idade, fixando residência na cidade de Campo Largo, na Colônia Rio Verde, Paraná. Faleceu em São Paulo em 7 de abril de 1971, aos 88 anos de idade


José Roberto (Girardi) Staliano está escrevendo um livro sobre o Padre Jaime Garzaro, Vigário de Colina de 1925 a 1932 e nos permitiu publicar um trecho referente à atuação do Pe. Jaime em Colina
Agradecemos ao José Roberto (Girardi) Staliano pela especial deferência e pela confiança. 

Minha família e eu temos uma grande dívida para com esse Padre que considero um verdadeiro santo.
Já há anos que estou tentando recolher material dos locais onde ele passou sobre suas realizações, dificuldades, etc...
sobre o autor do livro, José Roberto (Girardi) Staliano, 
vide abaixo...

Padre Jaime Garzaro - Vigário de Colina de 1925 a 1932

A paróquia de São José de Colina foi criada no dia 30 de julho de 1918, por D. José Marcondes Homem de Mello, bispo de Jaboticabal. Colina pertencia naquela época à Paróquia do Divino Espírito Santo de Barretos, hoje Catedral do Divino Espírito Santo, e à diocese de São Carlos. O primeiro pároco de Colina foi o Pe José Rodrigues Caetano, nomeado no dia 22 de agosto de 1918.

Pe. Jaime Garzaro foi nomeado Vigário de Colina em 28/03/1925, em substituição ao Padre Manoel Pinheiro (1921/1925), pelo então Arcebispo Dom José Marcondes Homem de Mello.

A Igreja atual começou a ser construída com o lançamento da pedra fundamental em 25 de abril de 1920 e foi inaugurada em 12 de outubro de 1924 pelo Pe. Garzaro.

Como pároco de Colina, coube ao Pe. Jaime Garzaro conduzir as festividades religiosas quando da instalação do Município de Colina, então distrito de Barretos, em 21 de abril de 1926, conforme anunciou O Colinense:




PROGRAMA DA FESTA DO PADROEIRO SÃO JOSÉ E DA INSTALAÇÃO DO MUNICÍPIO DE COLINA, DA COMARCA DE BARRETOS, A REALIZAR-SE NO DIA 21 DE ABRIL DE 1926:
- repique dos sinos da Igreja ao meio dia, anunciando o início da novena em preparação da Festa - às 19 h desse mesmo dia, haverá lugar a primeira novena, constando do Veni, Ladainhas, Bênção do Santíssimo Sacramento e cânticos religiosos e assim continuará até o dia da festa.
- nos três últimos dias, depois das novenas, haverá leilão em benefício da festa. No dia 20 deverá chegar de São Paulo o exmo. orador sacro, Padre Genésio Lopes, da Paróquia Santa Cecília que, na hora da missa e após a procissão se fará ouvir.
- às 8 h haverá a primeira Missa com Comunhão Geral


MISSA CAMPAL
Às 10 h haverá Missa Campal à porta da Matriz, por três sacerdotes, num altar previamente preparado por distintas Senhoritas da nossa sociedade. 
INSTALAÇÃO DA NOVA COMARCA
Às 11 h, o Diretório local, vereadores, autoridades locais e das localidades vizinhas, convidados e o povo em geral diregir-se-ão para o prédio da Câmara Municipal, para cerimônia de posse que será dada pelo Exmo. Emérito Sr. Juiz de Direito da Comarca, Dr. Belmiro Simões, procedendo à bênção do Prédio. Haverá então um discurso alusivo ao ato, pronunciado pelo Exmo. Sr. Dr. Valêncio Augusto de Barros Filho. Às 16 h haverá um encontro de nossos bravos jogadores de futebol com os de Bebedouro.
Às 18 h sairá de nossa Matriz uma procissão conduzindo um Andor e Imagem de nosso Padroeiro São José abençoando o novo Município e seus habitantes. Ao entrar da Procissão se fará ouvir de novo o Orador Sacro, dando-se a bênção com o Santíssimo Sacramento.
 
Nota: O prefeito à época era Antonio Junqueira Franco (Nico Junqueira) – 1º prefeito da cidade, de 23/04/1926 a 21/10/1929 e 03/10/1929 a 23/10/1930.

PROGRAMA REPUBLICADO NO COLINENSE DE 21/ABRIL/1970:
Por deferência toda especial, e como homenagem de O Colinense a um de seus maiores colaboradores, quando em vida, Dr. João Moreira de Andrade, publicamos, na íntegra, o Programa de Festejos que, a 21 de abril de 1926, determinou a passagem da emancipação política do Município.

Em 05/05/1926 Padre Jaime inaugurou a casa paroquial da cidade. No mesmo ano, em 12 de agosto, a cidade recebeu a visita pastoral de Dom José Marcondes Homem de Mello.
Em agosto de 1928, Padre Jaime participou das Missões Paroquiais e criou a Irmandade do Santíssimo. Em 1930, fundou a Cruzada Eucarística. 

No livro da família Paro encontramos o seguinte registro: "em suas terras, em Monte Belo, em agradecimento a graças recebidas, os Paro construíram uma capela em louvor a Nossa Senhora Aparecida, inaugurada em 18/12/1928. A primeira missa foi celebrada pelo Padre Jaime Garzaro.” 


Família Paro (ao lado da Igreja do Monte Belo), 
identificados por Eleutério Paro 
da esquerda para a direita: 
1: ? / 2: Giácomo Paro / 3: Benedito Paro / 
4: Padre Jaime Garzaro / 5: ? / 6: Luiza Cardini (?) / 
7: Ângelo Paro / 8: Ernesto Benedito Paro / 9: Antonio Benedito Paro







Tendo sido vigário de várias cidades do Vale do Paraíba, Padre Jaime mantinha muito contato com os Padres Redentoristas. Era uma admiração do trabalho missionário deles e, sempre que possível, solicitava as Missões em suas paróquias. Em Colina, não foi diferente. Solicitou as Santas Missões e Padre Vitor Coelho de Almeida, hoje em processo de Beatificação, esteve pessoalmente realizando as Santas Missões em Colina e região. 
Ainda no livro sobre a família Paro encontramos o registro de que “em 23 de junho de 1931 o Padre Jaime, após a celebração da Santa Missa e benção das fitas e da cruz medalha, deu posse à nova diretoria do Apostolado da Oração, incitando-a a trabalhos com ardor para ampliar cada vez mais o Reinado do Divino Coração de Jesus na Paróquia”. Era o terceiro centro que o Padre Jaime fundava nessa mesma Paróquia. 
Nessa época foi constituída a seguinte diretoria:
Presidente – Itália Marin Paro
Vice Presidente – Amabile Paro
Tesoureira – Santa Paro
Secretária – Luiza Paro

Sempre antes da bênção das fitas, Padre Jaime rezava o “Veni Creator” e chamava atenção sobre a importância do Apostolado e sua atuação.
Padre Jaime permaneceu em Colina até 1932. Como em todos os locais por onde passou, sempre deixou sua marca de liderança e afeto entre seus paroquianos. 
Levantou igrejas onde não havia, criou associações de Congregados Marianos, de Filhas de Maria, do Sagrado Coração de Jesus, do Apostolado de Oração. Incentivou movimentos jovens, com participações das comunidades em jornais, rádios e outros meios de comunicação. Muitas vezes, em apoio à comunidade, enfrentou políticos, quando discordava de suas atitudes, palavras ou ações. Buscou parcerias com fazendeiros, empresários, políticos e governantes quando julgou necessárias e viáveis. 
Em 1932, Padre Jaime é chamado pelo Arcebispo Dom Duarte Leopoldo e Silva para assumir temporariamente o cargo de Capelão da Escola Doméstica em São Paulo no bairro da Mooca em São Paulo.
Padre Jaime foi substituído por Miguel dos Reis Melo (1932), 6º Vigário de Colina. 

Em 25/08/1933 é nomeado Capelão do Orfanato da Casa de São José, das Irmãs da Divina Providência, no bairro de Pinheiros, responsáveis por centenas de crianças órfãs. 

Aspectos da vida do Padre Jaime Garzaro

Em Colina
 Romaria de Colina a Aparecida do Norte

 original de Batistério - batismo feito pelo Pe. Garzaro em 1927

 O Pe. Jaime está ao centro, meu avô, Batista Girardi é o que está à sua direita. 
Na porta da Igreja Matriz de Colina

D. Alice e Pe. Jaime

 Jornal A Voz da Paróquia

 Jornal A Voz da Paróquia

D. Alice e Pe. Jaime
D. Alice
Catequistas de Colina - Ao centro de escuro Dona Alice e de branco Henriqueta Girardi

 D. Alice

Amigos de Colina (terceira da direita para esquerda) Dona Alice


visita do Pe. Garzaro a Colina, em 1948

Em São Paulo:


Pe. Jaime e a família de Aquiles Mainardi, seu grande amigo de Pinheiros, dono da Escola Particular Ordem e Progresso


Pe. Jaime com o bolo em comemoração aos 50 anos de sacerdócio



Monsenhor Jaime e Henriqueta Girardi no colégio das Irmãs da Divina Providência.


na Comemoração dos 50 anos de sacerdócio, parentes e amigos, dentre eles: sobrinhos Luiz e José Garzaro, Maglório Paulo Girardi, Pe. Antônio Girardi, Pe. Septímio Arantes, Henriqueta Girardi, Luiz Vicente Staliano, João Paulo Staliano, Dulce Araci Staliano, Maria Dirce Staliano, Família de Eduardo de Sanctis, Luiz Rubira, David Broeto e Sr. Carlos, amigo e colaborador na Região de Pinheiros (SP)

FAMÍLIA GIRARDI


Foram sete anos de muito trabalho e criação na Cidade de Colina, tendo como aliado em suas realizações o amigo Batista Girardi, casado com Amália Paro, imigrantes italianos, contemporâneos de seus pais que se fixaram na região e eram proprietários de três fazendas; uma de gado, outra de algodão e outra de café. A família Girardi, como muitos italianos, sempre foi muito ligada à Igreja, dela advindo vários padres e freiras.
Mudando para São Paulo, Padre Jaime convida a filha solteira de seu amigo Batista Girardi a acompanhá-lo. Henriqueta aceita e permanece até o final de sua vida ao seu lado, assumindo as funções de governanta da casa.

Aqui começo a participar efetivamente da vida desta figura tão grande e importante. Passados alguns anos, minha mãe, Ana Girardi, irmã de Henriqueta ficou viúva de José Staliano com seis filhos, Luiz Vicente, Maria Amália, Dulce Araci, João Paulo, Maria Dirce e eu José Roberto, o caçula com 1 ano e meio de vida, tendo Luiz Vicente, o mais velho, doze anos.
Padre Jaime, com sua bondade, trouxe toda a família para São Paulo e, aos poucos, foi colocando um a um em colégios internos administrados por padres ou freiras, ficando apenas comigo e nossa mãe em sua casa.
Com suas amizades logo arranjou trabalho para nossa mãe no então Laboratório Lafi, situado à Rua Lisboa, enquanto tia Henriqueta cuidava da casa.





João Batista Girardi e Pe. Jaime

Pe. Jaime e as crianças da Primeira Comunhão em 1957
(O garoto é José Roberto Staliano, autor do livro)
minha avó Amália Paro Girardi e vô Batista Girardi. No centro minha tia Henriqueta Girardi

Tio Eugênio e Angelina



O casal é meu pai José Staliano e mãe Ana Girardi Staliano


o cartão com coração que meu pai mandou para minha mãe quando namoravam, em 1939
Embaixo, o cartão que ela enviou em 1939 para ele. 
Ao centro as catequistas de trança, minha mãe e a de óculos minha tia Henriqueta com as crianças da 1ª Comunhão. Ao lado, minha mãe Ana Girardi Staliano

Minha mãe, Ana Girardi Staliano e filhos: Luiz Vicente, Maria Amália, Dulce Araci, João Paulo, Maria Dirce e José Roberto

Pe. Antônio Girardi. seus pais e irmãs



Primeira Comunhão 

(à esquerda Ana e à direita Henriqueta Girardi - Catequistas)




Congregação Mariana de Colina SP 1947 - 
nº 12 - José Staliano, meu pai

Vários outros Girardi aparecem nesta foto:

(1) Nestor de Oliveira - (2) Marcelo Polizelli - (3) Joanim Basso - (4) Antonio Basso - (5) José Jardini - (7) Romano Girardi - (8) Marqueti Girardi - (9) Joaquim Baiano - (10) Domingos Girardi - (11) Nenê Brait - (12) José Staliano - (13) Avelino Sperque - (14) Antonio Marini - (15) José Mamprim - (16) José Scarmato - (18) Jacinto Pascão - (19) Antonio Paro Filho - (21) João Paro - (22) Benedito Mendonça - (23) Sebastião Antunes de Oliveira - (24) Augusto Arduino - (25) Joaquim Menezes Filho - (26) Moacir Menão - (27) Diogo Garcia - (28) Argemiro da Silva - (30) Sebastião José dos Santos - (31) Magrório Girardi - (32) Arlindo Basso - (33) Hermínio Basso - (34) Santim Girardi - (35) João Nunes Fernandes - (36) Atilio Gardini - (37) José Maciel - (38) Padre Amaro Muniz -39) Emílio Girardi - (40) Felício Látaro - (41) Antonio Areias - (42) Geraldo Torquato - (43) João Furini - (44) Geraldo Basso -

(6) – (17) – (20) – (29) – não identificados

Vide a Postagem sobre a Paróquia de São José de Colina - clique aqui